segunda-feira, 6 de agosto de 2012

TIPOLOGIA: NARRAÇÃO


Narração é um relato organizado de acontecimentos reais ou imagináveis. Deve-se destacar o movimento dos fatos, mantendo aceso o interesse do leitor, expor os acontecimentos com rapidez, relatando-se apenas o que é significativo.

            A Narração envolve:

· quem? Personagens

· quê? Atos, enredo

· quando? A época em que ocorreram os acontecimentos

· onde? O lugar da ocorrência

· como? O modo como se desenvolveram os acontecimentos

· por quê? A causa dos acontecimentos.

Na Narração, deve-se evitar que os acontecimentos se amontoem, sem nenhum significado.
Força-se selecionar fatos relevantes, evitando-se, quando possível, detalhes planos, as séries de adjetivos.
            Recomenda-se o uso preferencialmente de substantivos.
            A narrativa é uma forma de composição na qual há um desenrolar de fatos reais ou imaginários, que envolvem personagens e que ocorrem num tempo e num espaço. Narrar é, pois, representar fatos reais ou fictícios utilizando signos verbais e não verbais.

Há alguns tipos de narrativa:

1- uma piada

Manuel recebeu um telefonema do gerente do banco:

 - Seu Manuel, estou lhe telefonando para avisar que a sua duplicata venceu.

 - E quem pegou em segundo lugar?

 2- uma notícia de jornal

“A poda indiscriminada de árvores em algumas localidades de Jaú, durante o verão, tem contribuído para elevar em até 5 graus a temperatura nas calçadas”. ‘(Comércio do Jahu - 23-1-97)

 3- um texto literário

A galinha Cocoricó estava há dias chocando seu ovo, quando ouviu um barulhinho:

 - Chegou a hora! Meu filho vai nascer!

A casca do ovo foi se partindo e uma frágil criaturinha começou a dar sinal de vida. Cocoricó não cansava de admirar a sua cria, que, toda desengonçada, tentava equilibrar-se sobre suas cambaleantes perninhas. Passadas algumas horas, lá estava o pintinho amarelinho, fofinho, aconchegado sob as penas de Cocoricó.

 - Você vai se chamar Uto !

 4- Uma história em quadrinhos

Utiliza ao mesmo tempo o código verbal e o não verbal e o contexto extralinguístico é importantíssimo para a compreensão da linguagem.

 5- Uma letra de música

“Era uma casa

 Muito engraçada

 Não tinha teto

Não tinha nada

 Ninguém podia

 Entrar nela não

 Porque na casa

 Não tinha chão “( Vinicius de Moraes)

 6- um poema

Sonhe alto, sempre e mais

 Faça a cada dia a vida

 Na medida do seu sonho.

Sonhe e, ao mínimo gesto,

Seu ser inteiro empreste,

 Sua marca em tudo ponha

 Que o Homem não é alto

 Nem baixo e se faz...

Da estatura do que sonha! (Elcio Fernandes)
 
            Para que a narrativa tenha qualidades, o assunto deve ser relatado de forma original e despertar no leitor interesse pelo desenrolar da história. A linguagem deve ser clara, simples, correta e a história deve parecer real, ser verossímil, isto é, deve dar a impressão de que ela pode ter acontecido. Exemplo:

 “Era noite de inverno, uma daquelas não muito frias, a ocasião ideal para ouvir uma boa música. Pensando nisso, o casal se arrumou e foi ao teatro para ouvir o concerto da Banda.

O teatro estava quase lotado e percebia-se a presença de várias crianças andando ruidosamente pelos corredores.

- Ih, pensou a mulher - criança pequena e concerto é uma combinação que raramente dá certo... Aliás, nunca dá certo.

Mas ficou quieta, não comentou nada com o marido. Poderia parecer chata e implicante. Afinal, os tempos mudaram e talvez as crianças também; elas estão tão “adultificadas” que, quem sabe, podem até apreciar um bom concerto... Será?

O castigo veio a cavalo, pois mal ela e o marido acomodaram-se nas primeiras poltronas de uma fileira, sentaram-se justamente atrás deles, um rapaz com a esposa, seu filhinho de uns quatro anos e um senhor de idade, o avô.

- Ô mãe, quanta polícia lá no palco! Por quê?

 - É que a banda é da polícia!

 - Ô mãe, o que aquele “ ómi” com aquela baciona vai fazer ?

 - Aquilo não é uma baciona. É um instrumento. Ele vai tocar ! Aquilo é o “baxotuba”.

 - O quê? ! E aqueles “ómis” segurando aqueles bambus?

 - Não é bambu ! Também é um instrumento. Fique quietinho que quando a banda começar a tocar, você vai ver.”

Um passo preparatório para a produção de textos narrativos é, sem dúvida, a elaboração de falas em balões, dando sequência.

.Os principais elementos de uma narrativa são:

 1- o enredo ou a trama

Formado pelos fatos que se desenrolam durante a narrativa. Toda história tem uma introdução, na qual o autor apresenta a ideia principal, os personagens e o cenário; um desenvolvimento, no qual o autor detalha a ideia principal e há dois momentos distintos no desenvolvimento: a complicação (têm inícios os conflitos entre os personagens) e o clímax (ponto culminante) e um desfecho, que é a conclusão da narrativa.

 2- o tempo

Cronológico ou exterior - é marcado pelo relógio. É o espaço de tempo em que os acontecimentos desenrolam e os personagens realizam suas ações; psicológico ou interior, não pode ser medido como o tempo cronológico, pois refere-se à vivência dos personagens, ao seu mundo interior.

 3- o espaço

Onde os acontecimentos se desenrolam.

 4- os personagens

São os seres envolvidos nos fatos e que formam o enredo da história. Eles falam, pensam, agem, sentem , têm emoções. Qualquer coisa pode ser transformada em personagem de uma narrativa. Os personagens podem ser pessoas, animais, seres inanimados, seres que só existem na crendice popular, seres abstratos ou ideias e outros. O protagonista é o personagem principal, aquele no qual se centraliza a narrativa. Pode haver mais de um na Narração. O antagonista é o personagem que se opõe ao principal. Há ainda os personagens secundários, que são os que participam dos fatos, mas não se constituem o centro de interesse da Narração.

Exemplo de discurso direto

- Você sabe que o seu irmão chegou?

 Exemplo de discurso indireto

Ele perguntou se ele sabia que o seu irmão havia chegado.

 Há ainda o discurso indireto livre , que mescla o discurso direto com o indireto, dando a impressão que o narrador e o personagem falam em uníssono. Não há presença de verbos de elocução, de travessões, dois pontos, nem de orações subordinadas substantivas próprias do discurso indireto.

Exemplo de discurso indireto livre:

“Se pudesse economizar durante alguns meses, levantaria a cabeça. Forjara planos. Tolice, quem é do chão não se trepa.” ( Graciliano Ramos)

 5- o narrador

É quem relata os fatos.

O narrador pode assumir duas posições:

 a- narrador observador ( narrador de terceira pessoa - o foco narrativo é de terceira pessoa ) - relata os acontecimentos como observador. Alguém está observando o fato e conta o que acontece ou aconteceu. Esse observador pode participar da história ou estar fora dela. A narrativa desenvolve-se em terceira pessoa. Exemplo: “Ele morava numa cidadezinha do interior. Tinha nascido ali, conhecia todo mundo. Era muito dado, dado demais para o gosto da mulher, que estava sempre de olho nos salamaleques que ele vivia fazendo para a mulherada do lugar.

 - Puras gentilezas - dizia ele. Afinal, sou um cavalheiro...

Levantava-se todos os dias na mesma hora, tomava o seu café, pegava a garrafa de água, o panamá, o cachorro e ia para a fazenda, herança de família. Mas não era de só ficar dando ordens não. Gostava mesmo era da lida.”

 b- narrador personagem ( narrador de primeira pessoa - o foco narrativo é de primeira pessoa ) - um personagem participante da história narra os fatos. Vê os fatos de dentro para fora e a narrativa desenvolve-se em primeira pessoa. Exemplo: “Contou-me uma guia em Buenos Aires, que quando se diz que essa cidade é a mais europeia das Américas, muitas pessoas torcem no nariz. Pura dor de cotovelo! Quem conhece Buenos Aires como eu, sabe que isso é verdade.”

De acordo com o conceito de Narração, podem-se narrar tantos fatos reais, que é o relato de ações praticadas pelas pessoas (livros científicos, livros de História, notícia de jornal), como fatos fictícios, com personagens que podem até ser reais, mas que não tem necessariamente compromisso com a realidade. Neste último caso, o fato pode ser totalmente inventado ou até baseado na realidade, porém enriquecido pela imaginação de quem relata.