Narração é um relato
organizado de acontecimentos reais ou imagináveis. Deve-se destacar o movimento
dos fatos, mantendo aceso o interesse do leitor, expor os acontecimentos com
rapidez, relatando-se apenas o que é significativo.
A Narração envolve:
· quem?
Personagens
· quê? Atos,
enredo
· quando? A
época em que ocorreram os acontecimentos
· onde? O
lugar da ocorrência
· como? O
modo como se desenvolveram os acontecimentos
· por quê? A
causa dos acontecimentos.
Na Narração,
deve-se evitar que os acontecimentos se amontoem, sem nenhum significado.
Força-se selecionar
fatos relevantes, evitando-se, quando possível, detalhes planos, as séries de
adjetivos.
Recomenda-se o uso
preferencialmente de substantivos.A narrativa é uma forma de composição na qual há um desenrolar de fatos reais ou imaginários, que envolvem personagens e que ocorrem num tempo e num espaço. Narrar é, pois, representar fatos reais ou fictícios utilizando signos verbais e não verbais.
Há alguns tipos de
narrativa:
1- uma piada
Manuel recebeu um
telefonema do gerente do banco:
- Seu Manuel, estou lhe telefonando para
avisar que a sua duplicata venceu.
- E quem pegou em segundo lugar?
“A poda
indiscriminada de árvores em algumas localidades de Jaú, durante o verão, tem
contribuído para elevar em até 5 graus a temperatura nas calçadas”. ‘(Comércio
do Jahu - 23-1-97)
A galinha Cocoricó
estava há dias chocando seu ovo, quando ouviu um barulhinho:
- Chegou a hora! Meu filho vai nascer!
A casca do ovo foi
se partindo e uma frágil criaturinha começou a dar sinal de vida. Cocoricó não
cansava de admirar a sua cria, que, toda desengonçada, tentava equilibrar-se
sobre suas cambaleantes perninhas. Passadas algumas horas, lá estava o pintinho
amarelinho, fofinho, aconchegado sob as penas de Cocoricó.
- Você vai se chamar Uto !
Utiliza ao mesmo
tempo o código verbal e o não verbal e o contexto extralinguístico é
importantíssimo para a compreensão da linguagem.
“Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão “( Vinicius de Moraes)
Sonhe alto, sempre
e mais
Faça a cada dia a vida
Na medida do seu sonho.
Sonhe e, ao mínimo
gesto,
Seu ser inteiro
empreste,
Sua marca em tudo ponha
Que o Homem não é alto
Nem baixo e se faz...
Da estatura do que sonha!
(Elcio Fernandes)
Para que a narrativa tenha qualidades, o assunto deve ser relatado de forma original e despertar no leitor interesse pelo desenrolar da história. A linguagem deve ser clara, simples, correta e a história deve parecer real, ser verossímil, isto é, deve dar a impressão de que ela pode ter acontecido. Exemplo:
“Era noite de inverno, uma daquelas não muito
frias, a ocasião ideal para ouvir uma boa música. Pensando nisso, o casal se
arrumou e foi ao teatro para ouvir o concerto da Banda.
O teatro estava
quase lotado e percebia-se a presença de várias crianças andando ruidosamente
pelos corredores.
- Ih, pensou a
mulher - criança pequena e concerto é uma combinação que raramente dá certo...
Aliás, nunca dá certo.
Mas ficou quieta,
não comentou nada com o marido. Poderia parecer chata e implicante. Afinal, os
tempos mudaram e talvez as crianças também; elas estão tão “adultificadas” que,
quem sabe, podem até apreciar um bom concerto... Será?
O castigo veio a cavalo,
pois mal ela e o marido acomodaram-se nas primeiras poltronas de uma fileira,
sentaram-se justamente atrás deles, um rapaz com a esposa, seu filhinho de uns
quatro anos e um senhor de idade, o avô.
- Ô mãe, quanta
polícia lá no palco! Por quê?
- É que a banda é da polícia!
- Ô mãe, o que aquele “ ómi” com aquela
baciona vai fazer ?
- Aquilo não é uma baciona. É um instrumento.
Ele vai tocar ! Aquilo é o “baxotuba”.
- O quê? ! E aqueles “ómis” segurando aqueles
bambus?
- Não é bambu ! Também é um instrumento. Fique
quietinho que quando a banda começar a tocar, você vai ver.”
Um passo
preparatório para a produção de textos narrativos é, sem dúvida, a elaboração
de falas em balões, dando sequência.
.Os principais
elementos de uma narrativa são:
Formado pelos fatos
que se desenrolam durante a narrativa. Toda história tem uma introdução, na
qual o autor apresenta a ideia principal, os personagens e o cenário; um desenvolvimento,
no qual o autor detalha a ideia principal e há dois momentos distintos no desenvolvimento:
a complicação (têm inícios os conflitos entre os personagens) e o clímax (ponto
culminante) e um desfecho, que é a conclusão da narrativa.
Cronológico ou
exterior - é marcado pelo relógio. É o espaço de tempo em que os acontecimentos
desenrolam e os personagens realizam suas ações; psicológico ou interior, não
pode ser medido como o tempo cronológico, pois refere-se à vivência dos
personagens, ao seu mundo interior.
Onde os
acontecimentos se desenrolam.
São os seres
envolvidos nos fatos e que formam o enredo da história. Eles falam, pensam,
agem, sentem , têm emoções. Qualquer coisa pode ser transformada em personagem
de uma narrativa. Os personagens podem ser pessoas, animais, seres inanimados,
seres que só existem na crendice popular, seres abstratos ou ideias e outros. O
protagonista é o personagem principal, aquele no qual se centraliza a
narrativa. Pode haver mais de um na Narração. O antagonista é o personagem que
se opõe ao principal. Há ainda os personagens secundários, que são os que
participam dos fatos, mas não se constituem o centro de interesse da Narração.
Exemplo de discurso
direto
- Você sabe que o
seu irmão chegou?
Ele perguntou se
ele sabia que o seu irmão havia chegado.
Exemplo de discurso
indireto livre:
“Se pudesse
economizar durante alguns meses, levantaria a cabeça. Forjara planos. Tolice,
quem é do chão não se trepa.” ( Graciliano Ramos)
É quem relata os
fatos.
O narrador pode
assumir duas posições:
- Puras gentilezas - dizia ele. Afinal, sou um
cavalheiro...
Levantava-se todos
os dias na mesma hora, tomava o seu café, pegava a garrafa de água, o panamá, o
cachorro e ia para a fazenda, herança de família. Mas não era de só ficar dando
ordens não. Gostava mesmo era da lida.”
De acordo com o conceito de Narração, podem-se narrar tantos fatos
reais, que é o relato de ações praticadas pelas pessoas (livros científicos,
livros de História, notícia de jornal), como fatos fictícios, com personagens
que podem até ser reais, mas que não tem necessariamente compromisso com a
realidade. Neste último caso, o fato pode ser totalmente inventado ou até
baseado na realidade, porém enriquecido pela imaginação de quem relata.